COVID-19: Na linha da frente com a AISA – Associação de Apoio Social N.ª Sr.ª da Assunção

21 de Maio de 2020
Isabel Ganilho

“Uma das principais preocupações quando reabrirmos será manter o distanciamento” começa por referir Rita Marau, coordenadora do Departamento de Serviços Sociais da Associação de Apoio Social N.ª Sr.ª da Assunção. Na instituição estão todos ansiosos por saber quais serão os critérios de reabertura e as condições que vão ser impostas, assim como a capacidade da AISA em coloca-las em prática

São muitas as preocupações que surgem à associação na reabertura. Desde ir buscar os utentes a casa até ao estado físico e mental em que eles vão regressar ao centro de dia. Antes da pandemia, a instituição fazia o transporte numa carrinha de nove lugares, oito utentes mais o motorista, estando os utentes sentados lado a lado num espaço reduzido. “Num futuro próximo como vai ser?” questiona-se Rita Marau. Relativamente ao estado físico e mental dos utentes afirma que “temos que nos preparar para uma reabertura do centro de dia com utentes cada vez mais dependentes, tanto a nível físico como a nível cognitivo. Desde março que os serviços de saúde e de fisioterapia estão suspensos e se já tínhamos uma população envelhecida e dependente quando reabrirmos vamos ter pessoas ainda mais dependentes”.

“Temos que nos reinventar a cada minuto”

A associação já se encontra a trabalhar no sentido de minorar as situações tanto a nível físico com a nível psicológico. De facto, já estão a trabalhar na reabertura dos serviços ao nível da saúde, nomeadamente da fisioterapia, a preparar um serviço de psicologia e de estimulação cognitiva, tanto a nível de teleterapia, de teleatividades e mesmo a nível presencial. Noutra vertente, também já estão a trabalhar e a avaliar em equipa de que forma poderão melhorar o apoio domiciliário. “De que forma é que podemos transformar o apoio domiciliário num apoio muito mais completo, também é um grande desafio”, refere Rita Marau. Isto a pensar naqueles utentes que já não podem voltar ao centro e que irão precisar de uma resposta de apoio domiciliário.

Como foi o início do confinamento

“Chegar à instituição e ver o espaço completamente vazio, sem barulho, sem ouvir os utentes a conversar é terrível. O silêncio é assustador.” confessa Rita Marau. Desde que a pandemia obrigou ao confinamento é esta a realidade que a responsável e a sua equipa enfrentam diariamente.

Ao nível do funcionamento do centro de dia foi uma alteração radical. Todos os utentes ficaram em casa tendo este facto constituído um corte total na rotina de cada um deles. Os serviços de fisioterapia, de enfermagem, as consultas de medicina geral e a cedência de produtos de apoio foram suspensos. Os serviços técnicos passaram a ser feitos por teleterapia.

Não obstante essas alterações, a instituição continuou a prestar serviços de higiene pessoal, de alimentação (confeção e entrega), de compra de medicação, de tratamento de roupa, de aquisição de produtos de mercearia e de higiene habitacional na casa do utente. No âmbito do programa “Máscaras Acessíveis” da CMC está a vender máscaras à população.

 A psicóloga da associação faz o acompanhamento semanal dos utentes e seus familiares via telefone. Aconselha a nível das atividades que a família pode fazer com o utente em casa ou, caso o utente tenha capacidade, as atividades para ele próprio desenvolver. “Dado tratarem-se de utentes com demência, a parte da estimulação cognitiva e do apoio ao nível das atividades diárias é muito importante” explica Rita Marau.

Em relação ao apoio domiciliário não houve grandes alterações. Somente a questão da apresentação das equipas, que se alterou bastante com o recurso ao uso de equipamentos de protecção individual. A responsável dos serviços sociais conta que “Ao início os utentes estavam muito apreensivos ao verem as equipas assim e estranhavam, mas por outro lado acabou por funcionar como um sinal de alerta para a necessidade de se protegerem e para transmitirmos a gravidade desta pandemia”.

A equipa da AISA

A importância da equipa que está no terreno é fundamental. A AISA tem uma grande equipa, são pessoas que vestem a camisola e que estão a trabalhar sete dias por semana. Rita Marau diz que “nunca teve uma equipa tão unida e com tão bom ambiente como agora. Como é que é possível numa situação de pressão ter de se exigir muito mais da equipa, coloca-la perante novos desafios e ela responder desta forma?”. Refere que foi a maior surpresa que teve. A relação da equipa com a própria direção também está a ser muito boa. A direção tem estado muito presente e tem feito de tudo para estar à altura e responder aos novos desafios. .

“A Junta de Freguesia de Alcabideche e a Câmara Municipal de Cascais têm tido um papel muito importante para que as instituições não fechem as portas. Se Cascais já era conhecida por ter uma boa rede de instituições e por saber trabalhar em rede, se alguém tinha ainda alguma dúvida, neste momento deixou de ter”