COVID-19: Na linha da frente com o Centro Paroquial do Estoril

26 de Maio de 2020
helenabonzinho

Mariana Formigal , Diretora Técnica do Centro Paroquial do Estoril, tinha assumido funções há pouco tempo quando o Centro de Dia da instituição foi encerrado devido ao Estado de Emergência. Os idosos foram canalizados para o serviço de apoio domiciliário, com refeições confecionadas. A maior parte tinha o apoio de familiares e para alguns este apoio não foi necessário porque têm autonomia que lhes permite confecionarem as suas próprias refeições.

A task force de apoio à distância

Antevendo que os aspectos relacionais teriam uma importância crucial para manter o bem-estar dos idosos durante a fase de confinamento, o CPE montou uma task force para prestar apoio psicológico pelo telefone. Os sinais de alarme podem ser um idoso que já não se quer levantar de manhã, os que demonstram ansiedade pela indefinição da data de reabertura do centro ou até casos de quedas em casa.

Aproximação aos idosos: prevenir o sofrimento psicológico

O sofrimento psicológico e a degradação das condições físicas e cognitivas dos idosos são uma consequência do isolamento obrigatório. A frequência do Centro de Dia , para além de proporcionar o acesso a atividades de estimulação, é uma espaço de convívio e amizade. “Eles têm muitas saudades uns dos outros. Um mês, três meses na vida de um idoso não tem nada  a ver, o impacto é gigante”. Não sabendo por quanto tempo mais se poderá prolongar a suspensão das atividades presenciais, a equipa do CPE está empenhada em criar estratégias alternativas e por isso apresentou uma candidatura à linha de financiamento BPI/ La Caixa Séniores: “queremos minimizar o risco desta solidão e aproximar os idosos uns dos outros. A ideia que tivemos implica uma parte digital e precisamos de apoio. Por isso é que nos candidatamos. É um projeto  inovador e se não ganharmos vamos tentar arranjar uma solução para  o implementar”.


” grande disponibilidade, generosidade e interesse genuíno por cada um dos idosos, muito consciente de que isto para eles é muito difícil, muito duro, especialmente para quem depende muito destas interações diárias no Centro de Dia. É uma equipa muito motivada para fazer diferente.”


Levar o Centro de Dia a casa

Não descurando qualquer medida de segurança, assim que o estado de emergência foi levantado, o CPE começou a realizar vistas domiciliárias para avaliar as necessidades dos idosos. Importar recuperar das sequelas da imobilização forçada. Por cada visita realizada , é ativado um plano de recuperação que pode incluir fisioterapia ou terapia ocupacional para que os idosos não regridam, se consigam manter ativos. E se há idosos que anseiam pela sua vez , há outros ou os seus familiares que ainda têm receio do contacto e têm resistências em retomar o acesso a estes serviços. Para Mariana Formigal, isto constitui um desafio que a equipa tem que ultrapassar pois não se pode deixar ninguém ficar para trás. A equipa está a elaborar um panfleto explicativo com os novos serviços.

Uma equipa focada na personalização dos serviços

Com esta retoma das visitas técnicas ao domicílio, “os idosos estão muito contentes. As visitas demoram muito tempo, porque têm muita conversa para por em dia” revela Maria Formigal com um sorriso. Recém chegada ao CPE, encontrou uma equipa com ” grande disponibilidade, generosidade e interesse genuíno por cada um dos idosos, muito consciente de que isto é para eles é muito difícil, muito duro, especialmente para quem depende muito destas interações diárias no Centro de Dia. É uma equipa muito motivada para fazer diferente.” O CPE está a apostar nesta abordagem domiciliária, apesar de ser mais exigente ao nível dos recursos humanos necessários. Os contactos provavelmente terão que ser menos frequentes mas serão compensados com a personalização: “este tipo de serviço é muito mais intenso e muito mais dirigido para a necessidade daquela pessoa, muito mais personalizado”