Um balanço da Linha de Apoio Sénior: Para que servem os dados?

30 de Junho de 2020
helenabonzinho

A Rede Social Cascais está desde 15 março a registar e tratar os dados das pessoas que contactam a Linha de Apoio Sénior, que já realizou mais de 4 mil atendimentos. Esta resposta foi pensada para proteger as pessoas mais velhas, pois estas foram objeto de especiais restrições devido a sua vulnerabilidade à doença COVID-19. Permitiu que estas pessoas não ficassem privadas de serviços básicos pelo impedimento de sairem de casa. O registo e a contabilização dos dados dos atendimentos realizados nas Juntas de Freguesia tornaram visível a realidade dos idosos que vivem sozinhos e que não têm uma rede familiar próxima que os pudesse apoiar durante a pandemia.

O dado que se destacou: os idosos isolados

A Linha de Apoio Sénior recolhe informação básica sobre as pessoas que a contactam : idade, se vivem isoladas, onde vivem e as suas condições de saúde. Outro nível de informação foi as necessidades de apoio que tinham. Assim, é possível saber quem são e o que precisam e como estas necessidades evoluem ao longo do tempo. “Conseguimos um volume razoável de informação que resolvemos trabalhar. Encontramos um novo paradigma de idosos isolados que incluía agregados de pessoas idosas em isolamento social” explica Susana Graça, técnica da CMC responsável pelo tratamento da informação recolhida. (consultar dados por freguesia)

Com a utilização destas ferramentas informáticas já é possível, por exemplo, não só contabilizar e caracterizar os idosos que estão isolados mas também onde se encontram no território, facultando uma informação georreferenciada. Por concelho , é possível identificar zonas de maior concentração desta população e por freguesia, é possível visualizar o seu número por localidade.

Um barómetro da situação social

Outro dado que surpreendeu Teresa Ramos, responsável da Divisão da Rede Social , da CMC, foi a diversidade de pessoas que contactaram a Linha. Apesar de ter sido concebida para as pessoas mais idosas ou que estavam em risco, houve muitos pedidos de munícipes que não se enquadravam neste perfil. Os 2235 munícipes que pediram apoio incluem pessoas mais jovens, em idade ativa, a quem a pandemia trouxe como consequência o desemprego e o agravamento da sua situação social. Depois dos pedidos de apoio para realização de compra de alimentos ou medicamentos, começaram a ter expressão os pedidos de apoio social, como apoio financeiro e alimentar, sobretudo durante o mês de abril. As situações reveladas pelo tratamento estatístico chamam a atenção para a degradação da condição socio-económica de algumas famílias, destacando-se as que são compostas por apenas uma pessoa e as monoparentais com filhos menores.

A importância de conhecer para atuar

O acompanhamento da evolução dos pedidos da linha de apoio social é feito através de um sistema de monitorização, com o registo sistemático e diário dos atendimentos dos profissionais envolvidos neste serviço de primeira linha. “Consideramos que ter um conhecimento permanente e atualizado da evolução da situação poderia sustentar algumas decisões na (re)definição da abordagem a adotar junto das pessoas que estivessem em maior situação de vulnerabilidade e/ou isolamento” refere Teresa Ramos,

Esta experiência enquadra-se nos objetivos da Rede Social Cascais que deve proporcionar diagnósticos atualizados para melhorar a atuação das organizações na resposta aos munícipes. A monitorização “semana a semana, permitiu dar conta do retrato de cada freguesia, alertar os decisores políticos para a dimensão das situações e apoiar no complemento de respostas sociais”.

Os instrumentos para acompanhar a evolução da realidade

O seguimento da evolução de determinada realidade social utilizando ferramentas informáticas é uma vertente que a Rede Social Cascais pretende apostar: “Acho da maior relevância a Rede Social potenciar estas experiências de monitorização e visibilidade dos retratos sociais e desenvolver para diversas temáticas e áreas de atuação, no sentido de que as opções técnicas e políticas que se tomem ao nível do desenvolvimento social sejam fundamentadas em dados e factos”, defende Teresa Ramos.

Como destaca Susana Graça, o tratamento dos dados da Linha foi acompanhando ao longo dos meses, as alterações dos motivos de contacto. Isto corresponde a um desafio acrescido para quem está nos bastidores da Rede Social a tentar conceber instrumentos que sejam capazes de se adaptarem conforme as condições da realidade se vão alterando. Sob pena de deixarem de ser úteis para os decisores e para as organizações que procuram uma informação rigorosa para guiarem a sua intervenção.

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