Melhores relações, melhor Cascais: Rede Social promove espaços de reflexão sobre qualidade relacional no território

As relações fazem toda a diferença. Foi a partir desta convicção que a Rede Social de Cascais convidou 130 profissionais do território a colocar as relações no centro da intervenção social, reforçando a ideia de que melhores relações geram respostas mais humanas, eficazes e colaborativas. Entre março e maio, foram promovidas três ações de sensibilização, integradas no programa “Melhores Relações, Melhor Cascais – Promoção de Qualidade Relacional”, reforçando a importância da qualidade relacional na construção de um território mais coeso, próximo e humano.

Integradas no plano de formação RS Capacita 2026, as ações decorreram no DNA Cascais e foram dinamizadas por Rui Marques, do Relational Lab, no âmbito da construção de uma visão partilhada para Cascais enquanto território relacional. Com a duração de 120 minutos cada, os encontros tiveram como principal objetivo sensibilizar e mobilizar diferentes redes de atores para a centralidade da qualidade relacional, reconhecendo o seu impacto na eficácia, eficiência e bem-estar no quadro da ação desenvolvida pelas organizações e profissionais do território.

Ao longo de três momentos distintos — Inclusão de Grupos Vulneráveis (26 de março), Crianças e Jovens (22 de abril)e Proteção e Bem-Estar (5 de maio) — profissionais foram desafiados/as a refletir sobre a forma como as relações humanas influenciam o desenvolvimento individual, a coesão social e a eficácia das respostas institucionais.

Inclusão de Grupos Vulneráveis

A primeira ação de sensibilização colocou em reflexão a importância da qualidade das relações na inclusão de grupos em situação de maior vulnerabilidade, reforçando a ideia de que a qualidade das relações fazem toda a diferença.

Num contexto social marcado por crescente complexidade e por fenómenos de isolamento e fragilidade relacional, foi sublinhada a necessidade de investir na dimensão relacional da intervenção. O conceito de capital relacional — entendido como o valor gerado pelas redes de confiança, vínculo, respeito e colaboração que uma pessoa, equipa ou organização constrói e mantém ao longo do tempo — afirmou-se como um elemento central para respostas sociais mais eficazes.

Foi igualmente destacada a importância de haver tempo para as relações, reconhecendo que a construção de vínculos significativos exige presença, escuta e intencionalidade. A literacia relacional, entendida como a capacidade de criar e fortalecer relações de qualidade, emergiu como uma competência essencial para profissionais e organizações.

Ao longo da sessão, foram ainda identificados critérios fundamentais para a construção de um território mais relacional: proximidade, acessibilidade, reconhecimento, continuidade, coordenação e participação, reforçando a ideia de que mais do que os recursos disponíveis, é a qualidade das relações que sustenta respostas mais humanas e eficazes.

Crianças e Jovens

A segunda ação de sensibilização centrou-se na importância das relações no desenvolvimento das crianças e jovens, partindo de uma ideia estruturante: uma criança só aprende quando não tem medo, o que implica criar relação, vinculo.

A sessão destacou que o desenvolvimento infantil e juvenil depende profundamente da qualidade das relações estabelecidas com os adultos, os pares e os contextos envolventes. Quando uma criança se sente segura, reconhecida e valorizada, aumenta a sua capacidade de aprender, participar e desenvolver-se plenamente.

Foi sublinhado que a relação começa em cada pessoa, na forma como nos conhecemos, regulamos emoções e nos relacionamos connosco próprios e com os outros. A qualidade da presença relacional — estar verdadeiramente disponível, escutar e reconhecer — revelou-se uma condição essencial para promover ambientes seguros e favoráveis ao desenvolvimento.

A reflexão abordou ainda o atual contexto de “inverno relacional”, caracterizado por elevados níveis de hiperconectividade digital, mas por uma menor conexão humana significativa. Sublinhou-se que a solidão já não é uma realidade exclusiva das pessoas idosas, afetando também crianças e jovens, o que reforça a necessidade de investir na qualidade das relações desde cedo.

Foi ainda lançado um desafio coletivo: pensar o que constitui verdadeiramente uma “aldeia” capaz de cuidar das suas crianças e jovens, reconhecendo que os territórios se constroem através das relações, do propósito comum e do sentido de pertença.

Proteção e Bem-Estar

A terceira sessão colocou o foco na relação entre qualidade relacional, proteção e bem-estar, reforçando a ideia de que problemas complexos exigem respostas integradas e relacionais, adaptadas aos percursos concretos das pessoas.

Neste contexto, foi explorado o conceito de território relacional, entendido como um território que cria, protege e fortalece vínculos de proximidade, confiança, pertença e cuidado, promovendo ambientes onde as pessoas se sentem vistas, escutadas, seguras e corresponsáveis pela vida comum.

A sessão destacou ainda a relevância da saúde relacional, reconhecendo que as populações devem ser entendidas enquanto indivíduos interligados e inseridos em redes de apoio. A qualidade das relações é determinante de saúde e qualidade de vida. Ter relações baseadas em confiança e suporte contribui diretamente para a saúde física e mental, criando sentimentos de segurança, satisfação e pertença.

Foram igualmente abordados os quatro pilares sociais — apoio social, integração social, capital social e normas sociais —, reconhecendo o impacto determinante que exercem no bem-estar das comunidades.

A reflexão reforçou ainda uma evidência crescente: prevenir e combater a solidão é também prevenir futuros problemas de saúde, salientando a importância de promover relações centradas nas forças das pessoas e não apenas nas suas fragilidades.

Melhores relações para melhor Cascais

Ao longo das três ações de sensibilização, ficou evidente uma ideia comum: melhores relações geram maior eficácia, maior eficiência e maior bem-estar.

Mais do que um conceito, a qualidade relacional afirmou-se como uma dimensão essencial da intervenção social, da ação em rede e da construção de comunidades mais resilientes, inclusivas e humanas.

Este percurso reforçou o compromisso da Rede Social de Cascais em promover uma cultura de colaboração, confiança e proximidade, reconhecendo que o fortalecimento das relações humanas é uma condição fundamental para responder aos desafios sociais do presente e do futuro.

Em Rede, construímos um Cascais mais relacional.

15 de Junho de 2026
Rita Pereira